quarta-feira, 23 de setembro de 2020

8 A Umbanda Esquecida


Antigamente, luxo era menos e simplicidade era mais.
A festa de Exu era Ritual e não desfile de superfluosidades.
A gira dos Malandros não era um concurso de samba.
Os pretos velhos davam seus conselhos, davam passes e auxiliavam seus filhos, não vinham só por vir.
Ser um médium pobre não era motivo para sentir vergonha.
Usava-se zelador, zeladora, dirigente espiritual, mas hoje isso é sinônimo de pequeno, pouco...
Os médiuns iam no terreiro cumprir seu papel e honrar seu compromisso, hoje o prazer da paquera e da fofoca é essencial.
Tinha reunião para resolver as diferenças, hoje nem isso.
Antes era diálogo, hoje monólogo.
As mulheres não eram desrespeitadas e diminuídas.
Os homens pegavam no pesado sem pestanejar.
Todos louvavam os orixás nos pontos com consciência de quem respondia eram os falangeiros.
Orientação sexual não era crachá e nem motivo de destaque ou apaziguamento como médium de Umbanda.
Você se sentia importante e útil no seu centro, hoje você é tratado como acessório.
Se camboneava por amor aos guias, hoje o médium não serve e nem auxilia, não é obrigação dele mesmo.
Os ensinamentos do guia que estava falando eram ouvidos e assimilados com muita atenção, hoje a vida alheia é mais interessante ser esplanada.
A leitura como aprendizagem tinha valor, hoje ninguém quer ler livros: olha no Google.
Perguntava-se as coisas para os seus zeladores, hoje até um estranho sabe mais que ele.
O sincretismo como Herança Sagrada dos antepassados não era desrespeitado, hoje querem tirar o sagrado na marra.
O terreiro alheio era respeitado, hoje ; a minha casa é melhor que a casa tal; ninguém elogia a casa tal porque a minha é melhor!
Não tinha ganância, não tinha ego, não tinha disputa! As pessoas só queriam fazer sua parte.
Antes era humildade e abnegação, hoje é trabalho, emprego, pensando no que se vai ganhar fazendo as coisas,


Um grande axé

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