CONDUTA E REVERÊNCIA NO TERREIRO
Na Umbanda, o terreiro é compreendido com um espaço sagrado onde se manifesta a presença divina através dos Orixás e Entidades de Luz. Por isso, toda postura e comportamento dentro desse ambiente devem refletir respeito, equilíbrio e consciência.
As vestimentas no terreiro devem expressar simplicidade, pureza e respeito. Recomenda-se o uso de roupas brancas ou claras, símbolo da neutralidade vibratória e da harmonia energética.
Roupas curtas, justas, transparentes ou decotadas não condizem com o ambiente sagrado, pois este não é um espaço de exibição, mas de elevação espiritual.
O uso de sapatos varia conforme o templo.
Muitos médiuns e frequentadores permanecem descalços como forma de ligação direta com as forças da natureza e com o solo sagrado do terreiro, o que representa humildade e entrega.
Em alguns locais, principalmente ao adentrar o Congá, o espaço onde se concentram as forças divinas, é obrigatório retirar os sapatos, reafirmando o respeito ao ambiente consagrado.
Ao chegar, o fiel deve seguir as orientações da casa, retirando senha de atendimento e, quando houver, registrando presença. Cada cor de senha pode representar uma categoria específica de atendimento, distinguindo visitantes de frequentadores habituais.
É comum encontrar, na entrada, pessoas saudando a tronqueira, ponto de força de Exu e Pombagira, com frases como: “Laroyê Exu! Exu mojubá! Salve Senhora Pombagira, Pombagira Saravá!". A tronqueira simboliza o limite entre o mundo profano e o espaço sagrado, sendo o portal de guarda e proteção do templo.
O terreiro é um ambiente de recolhimento espiritual e concentração energética. Conversas paralelas, brincadeiras, vícios, comércio, futilidades ou qualquer conduta que desvirtue o propósito do culto devem ser evitadas.
A melhor postura é o silêncio interior, o respeito às práticas e o envolvimento consciente com o ambiente. O médium e o consulente devem abrir o coração, sentir as vibrações, absorver os aromas e cores e conectar-se com as forças que ali se manifestam.
A defumação é um rito purificador que tem por objetivo limpar e harmonizar o ambiente, dissipando miasmas e energias negativas trazidas do exterior. A fumaça das ervas consagradas age como um veículo espiritual que eleva as vibrações do espaço e dos presentes.
O marafo (aguardente), derramado à entrada do templo, é uma oferenda simbólica aos Exus guardiões e tem dupla função: saudar essas entidades e reforçar o fechamento energético da casa, impedindo o acesso de espíritos desequilibrados.
O Congá é o coração do terreiro, um espaço delimitado e consagrado, onde se encontram o altar dos Orixás, a curimba, os médiuns e o dirigente espiritual. É o ponto onde as energias divinas são condensadas e direcionadas durante o trabalho.
Ao ser chamado para o atendimento, o consulente deve adentrar o Congá descalço e bater cabeça, gesto de reverência em que a pessoa encosta a fronte ao solo ou ao altar, simbolizando humildade e entrega diante das divindades e entidades.
O ponto riscado é a escrita simbólica e mágica das entidades, feita com pemba (giz consagrado). Nele são traçados elementos de poder que concentram e direcionam energias. Esses pontos são verdadeiros selos de força e comando espiritual, e por isso, merecem respeito e silêncio durante sua execução.
A musicalidade na Umbanda é expressão vibracional dos Orixás e Entidades. Os pontos cantados e tocados pelos ogãs têm função mágica e ritualística: abrem caminhos, firmam energias, invocam forças e equilibram o ambiente. Cada toque e cada canto possui um propósito definido, harmonizando o terreiro e conduzindo a gira.
A Umbanda ensina que cada gesto, palavra e pensamento dentro do terreiro é parte de um conjunto ritualístico que visa à comunhão com o Divino. A disciplina, o respeito e a consciência vibracional são pilares fundamentais para que o médium e o consulente se alinhem à corrente espiritual da casa e recebam, de forma plena, as bênçãos e orientações dos guias e Orixás.
-Ricardo Vannucci-