sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Incorporação nao é palco de salvação


Você não incorpora entidades para salvar ou endireitar a vida de ninguém!

A incorporação não é um palco de salvação alheia, nem um instrumento de correção do outro. Ela é, antes de tudo, um chamado íntimo, profundo e intransferível: um processo de ajuste da própria alma.

Quando uma entidade se aproxima, não vem para exaltar o médium, nem para lhe conceder autoridade sobre o destino alheio. Vem para educar silenciosamente o espírito que a recebe.

Cada gira, cada ponto é um espelho onde o médium se vê sem máscaras.

O que se manifesta no corpo revela o que ainda precisa ser curado no íntimo.
A espiritualidade não invade o homem para consertar o mundo externo; ela entra para reorganizar o mundo interno.

Corrige posturas, quebra vaidades, confronta incoerências e exige responsabilidade moral.

Quem incorpora não é eleito para julgar caminhos, mas convocado a revisar os próprios passos.

Não se trata de poder, mas de compromisso. Não é dom para exibição, é disciplina para lapidação.

Aqueles que acreditam incorporar para "salvar" os outros ainda não compreenderam a pedagogia do sagrado.

A ajuda que chega ao consulente passa, inevitavelmente, pelo crivo da transformação do médium.

Só há cura verdadeira quando há coerência entre o que se manifesta no rito e o que se vive fora dele.

Incorporar é permitir que o sagrado toque primeiro as próprias feridas. É aceitar ser moldado, corrigido e, muitas vezes, desconstruído.

Quem entende isso caminha com humildade. Quem não entende, confunde espiritualidade com protagonismo.

No fim, a entidade não vem para ajustar a vida dos outros. Ela vem para alinhar a sua. E, quando isso acontece de verdade, o bem transborda naturalmente sem discurso, sem imposição, sem vaidade.

-Jefferson Santana-

Nenhum comentário:

Postar um comentário