terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

21 Se há cobrança não é Umbanda



Umbanda é essencialmente gratuita. Seu objetivo final é a caridade e jamais pode ser fonte de lucro para alguém. Ainda que seja para cobrir os custos da casa, não se deve cobrar pelos atendimentos. Existem muitas outras maneiras de arrecadar fundos, no entanto a consulta com as entidades deve sempre permanecer disponível a qualquer um que necessitar de seu auxílio.

Quando há interesses secundários, os guias se afastam. Eles estão ali para realizar suas missões. Não se sujeitarão a manifestações de vaidades, soberba, ganância e desejo de poder. Por esta razão, conheça muito bem o espaço que você frequenta. Onde há aspirações de enriquecimento na religião, pode muito bem estar presente obsessores.

Mesmo que o valor cobrado seja baixo, não se deve cobrar. O terreiro de Umbanda possui a obrigação de atender a todos, e não somente aqueles que possuem condições de pagar. O que é barato para você é possível que esteja fora da alçada de outros. E é um crime espiritual limitar a ajuda espiritual da Umbanda.

Uma das “táticas” mais comum que observamos naqueles que querem o seu dinheiro é induzi-lo a acreditar que alguma pessoa lhe enviou alguma demanda. Levam-no a crer que todos os seus problemas financeiros, na saúde ou no amor são devido algum trabalho negativo. E logo em seguida lhe oferecem a falsa solução: você paga tanto (geralmente um valor elevadíssimo) e todas as suas dificuldades se resolverão.

Abram os olhos, isto é engodo para ganhar às suas custas. Não há tantas demandas como as pessoas pensam. E não existe trabalho, firmeza, banho ou ritual que sumirá com todos os problemas da sua vida. Na grande maioria dos casos, foi o próprio consulente que criou as suas próprias mazelas, com hábitos, atitudes, pensamentos e sentimentos negativos e destrutivos.

Uma outra “estratégia” é afirmar que a causa de suas atribulações está em uma suposta cobrança de seus guias e Orixás. E para harmonizar a situação seria necessário passar por um determinado ritual, ou fazer uma oferenda ou se iniciar. E claro, para isso, será pedido uma alta quantia de você.

Não caiam nessa. Entidade e nem Orixá lhe farão mal. Jamais o forçará a seguir a religião. É característico de todas as elevadas falanges espirituais o máximo respeito pelo livre arbítrio. Eles orientam, aconselham, guiam, mas não desequilibram a vida de pessoa nenhuma.

Provoca-nos estranheza, também, a prática presente em alguns terreiro onde entidade, em vez de explicar o que passa com o consulente e como ele pode melhorar a situação, orienta-o a agendar uma consulta particular com o Pai/Mãe de Santo. E quando o necessitado busca mais informações, descobre que essa consulta não é de graça. Ora, se realmente está presente um legítimo guia da Umbanda, ele mesmo o aconselhará, sem pedir nada em troca, e durante a própria gira pública.

O terreiro sobrevive principalmente por meio de doações da consulência e da contribuição dos médiuns. Além disso, ele pode organizar eventos, uma pequena cantina, até mesmo uma lojinha com velas, materiais da religião e livros. E se porventura algum médium não possua condições de pagar a mensalidade, tudo bem. Há muitas maneiras de ajudar. Algumas pessoas podem auxiliar pouco financeiramente, mas muito fazem pela casa.

A Umbanda e o sacerdócio não são profissões. Cabe aos médiuns e dirigentes tirarem o seu sustento de outras formas. É por amor à religião que nos dedicamos a ela. Isto, muitas vezes, exige-nos sacrifícios do ponto de vista material. Porém, tudo vale muito a pena. Porque nossa alma, situada no plano onde reside a essência verdadeira de todas as coisas, desenvolve-se exponencialmente com toda nossa devoção.

Saravá a todos!

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