Agora, irmão, talvez você seja mesmo um digno médium umbandista, sincero, firme e decidido, na fé ou na confiança desses inigualáveis amigos do astral, nossos caboclos e pretos velhos, dessa nossa muito querida e muito Sagrada Umbanda. E assim sendo, vamos então expor para você o que é a magia em face da Lei de Salva, das operações mágicas, de abuso e outras coisas mais, depois que ler o adento A.
Adento A - Porém, nesses últimos anos, a corrente astral de umbanda já começou a proceder também a uma certa interpenetração pela Corrente kardecista, de vez que foi reconhecido pelo Astro Superior que ela está altamente necessitada desse reforço direto...
Estamos quase em posição de poder afirmar ser um dos objetivos da corrente de umbanda absorção da chamada corrente kardecista para o seu sistema vibratório.
Que os irmãos kardecistas não considerem isso uma heresia, pois, se louvarmos na indiscutível mediunidade do Chico Xavier, encontraremos nas comunicações que recebeu dezenas de referências entre as quais destacamos essa do irmão X (Humberto de Campos): " Feliz daquele que tem como protetor um caboclo ou um preto velho"...
E tanto essa afirmativa do irmão X é uma incontestável verdade, que o próprio Leopoldo Machado - um dos maiores vultos do espiritismo no Brasil - acabou abrindo largamente os braços e o coração a Umbanda, pois não é segredo que tenha sido curado de uma ferida na perna, por um preto velho desta mesma Umbanda que ele tanto criticara. Essa entidade foi Pai Antônio...
Assim, achamos até ridícula a aversão que certos meios ou setores kardecistas têm pela Umbanda, isto é, pelos espíritos de caboclos e pretos velhos...
Está nos parecendo que nossos irmãos kardecistas (com muitas e honrosas exceções) só leem as obras de Kardec por alto... ou então não levam na devida conta o que elas ensinam...
Deviam tomar contato também com a realidade umbandista através de sua legítima literatura...
Atualmente - irmãos "espíritas" - a Umbanda possui sólida literatura ou o seu próprio sistema filosófico, científico, metafísico, espirítico, fenomenico, mágico, ritualístico, terapêutico, doutrinário bastante definido...
Não cabe mais aquela opinião apressada do doutor Wantuil de Freitas, presidente da Federação Espírita Brasileira, quando sentenciou:
"A Umbanda é espiritismo prático, mas sem doutrina"...
Cremos que, atualmente, esse ilustrado espírita não pode mais dizer a mesma coisa...
É interessante ainda lembrarmos aos irmãos kardecistas que esses pretos velhos que eles tanto temem, por julgá-los (por ignorância) espíritos atrasados, estão, de vez em quando curando, ajudando e dando lições aos doutrinadores ou orientadores de maior relevo do citado meio espírita...
O próprio Doutor Wantuil de Freitas conta, em certa parte daquele seu opúsculo intitulado "Uma Entrevista Sensacional", as provas que recebeu de um preto velho de terreiro, o pai Francisco em 1932...
Esse preto velho orientou, ajudou-o em várias circunstâncias que ele ressalta em seu opúsculo e no final ainda lhe deu uma belíssima lição... de sabedoria e humildade.
Conta o doutor Wantuil de Freitas que, após esses contatos que ele teve com o pai Francisco, indo a sua costumeira sessão kardecista, lá comentou com o médium, senhora C, que tinha ido a uma sessão de Umbanda...
Essa senhora o censurou por se ter metido "nesse meio perigoso", impróprio para um homem de sua condição social, cultural etc ...
E aconteceu que, quando deram início à sessão, pela tal médium, senhora C, manifesta-se um espírito, que logo consideraram de grande elevação. Disse o presidente da Federação Espírita Brasileira, textualmente:
"Todos estamos perplexos com a beleza doutrinária de sua explanação, com o concatenado brilhante de suas frases com os profundos conhecimentos evangélicos que nos apresentava, contudo enfim. Falou por algum tempo, e, após ligeira pausa, continuou o mesmo espírito:
"Meus amigos: Dirigir-me a vós, que já compreendeis os vossos deveres, que já procurais aumentar os vossos conhecimentos através da leitura de boas obras, que já sentes a grandiosidade do Espiritismo, é fácil, é missão sem dificuldades e sem espinhos mas dirigir-me a criaturas ainda distanciada das lições do Cristo, ainda presas as coisas da terra, as coisas das religiões em que foram criadas, é bem difícil, é sacrificial. Esses irmãos, entretanto precisam ser amparados e encaminhados e espíritos existem que escolhem essa missão, descendo, às vezes, de outro plano e adotando processos que possam tocar aqueles corações preparando-os para o futuro que a todos espera. Eu sou o pai Francisco, o mesmo que atender o irmão Wantuil, através de um cavalo, e que aqui não se manifestaria se não for a ordem recebida do guia de vossos trabalhos. Ficai na paz do Senhor"...
Como vê, caro leitor, aqui não há mais comentários a fazer.
Outra figura de relevo, escritor, espírita, em sua excelente obra -"Afinal Quem Somos?", por sinal, honrada com um magistral prefácio de Monteiro Lobato, descreveu logo de início porque se tornou espírita.
Conta o senhor Pedro Granja que, em certa altura da vida, impelido por determinadas contingências, chegou à conclusão de que o "belo e o fraterno" não existiam.
"Assaltados pelos ecos da razão, a fé periclitou e a descrença se foi infiltrando em nosso espírito".
Difamados por intrigas mesquinhas, éramos mordidos pelas serpes da calúnia e da inveja no mais puro de nossos sentimentos: a lealdade".
Enfim, o senhor Pedro Granja foi vítima de insidiosa calúnia e sofreu em silêncio seu duro abatimento moral.
Quando tudo isso se passava em sua vida, foi convidado a assistir a uma sessão espírita e aceitou.
Foi descrente, desiludido. E lá, apesar disso tudo, quem o salvou? – isto é, quem levantou sua fé quase morta?
Foi um "preto velho" que abordou o seu caso diretamente, a razão de seu sofrimentos, tudo com precisão, acabando por dizer ele que, em menos de 10 meses, "o desenrolar de certos fatos" poria à tona a sua inocência, a sua dignidade etc. E tudo aconteceu conforme o previsto por esse "preto velho"...
E esse espírito, essa "Sombra Amiga", como o chamou depois, que orientou, ajudou e salvou daquele atordoamento moral, segundo suas próprias palavras... "aparentava o guinholesco sotaque africano"...
Se quiséssemos, citaríamos mais exemplos dentro do próprio meio kardecista. Então para que essas intransigências, "esses preconceitos de cor... espirítica", se irão, fatalmente, cair no seio humilde dessa Umbanda de Todos Nós?
(Trecho extraído da Obra Umbanda e o Poder da Mediunidade de W.W. da Matta e Silva – páginas 68,69 e 70)

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