A boca é um instrumento importante para trabalhar com Exu.
O grau do "cargo" que cada banda atribui a um Exú não muda o fato de que ele é o ser da comunicação e não diminui em absolutamente nada o seu poder.
Sou um exemplo vivo de que Exú de Umbanda também não tem limite para percorrer caminhos quando ele está determinado a chegar em algum lugar.
Exú usa e aprecia a boca, a língua, a fala, o diálogo, as palavras, o sopro, as frases, pois é pela boca e com a boca que enfeitiçamos e desenfeitiçamos os caminhos.
É com a boca que expressamos o que a cabeça e o coração estão produzindo.
Quem nunca ouviu dizer que é importante mascar ataré (pimenta da costa) para limpar e energizar nossa língua para falar com o sagrado? Quem nunca ouviu um Exú repreender uma situação negativa com o som de uma forte gargalhada que ecoa pela sua boca? Quem nunca viu um Exú soprar fumaça do seu charuto utilizando a energia do ar e daquela neblina que se forma no ar?
Pois é, Exú é uma entidade que por natureza está sempre usando a boca em suas magias e entre elas, uma prática é o sopro de marafo (pinga bebida), onde parece que Exú está cuspindo a pinga. O ato de jorrar o marafo através do sopro tem inúmeros significados.
Pode representar a ida e vinda de um caminho (bebida que entra e sai da boca, caminhos que vem, mas voltam, demandas que vem, mas voltam, por exemplo) podem representar a ida das palavras, pensamentos e feitiços de Exú jorradas ao vento, ao destino, às dimensões, às realidades, aos seus mistérios, portais e afins.
O sopro de Exu pode simbolizar transformações, pois o marafo adentrar à boca de forma líquida concentrada e sai em partículas menores.
Exu é aquele que pega um grande problema e divide em menores, pega uma situação que está de um jeito e transforma em outra.
-Eduardo de Oxossi-

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