Dentro de um terreiro, tudo é energia em movimento, visível e invisível. E há regras que, à primeira vista, podem parecer apenas simbólicas ou exageradas, mas que têm fundamentos profundos no funcionamento espiritual da casa.
O simples ato de encostar na parede, por exemplo, é evitado porque acredita-se que certos espíritos, sobretudo os mais densos, perturbados ou trevosos, se alojam nos cantos e nas extremidades do espaço espiritual. Eles ficam ali, muitas vezes, esperando uma brecha para agir, atrapalhar os trabalhos ou influenciar os médiuns mais instáveis. Quando um médium se aproxima dessas áreas com sua mente desconcentrada, cansada ou vulnerável, ele pode, sem perceber, se tornar uma ponte para essas presenças interferirem na gira.
É por isso que encostar na parede pode ser considerado abrir uma porta perigosa.
Já o ato de cruzar as pernas ou os braços, embora pareça inofensivo, é interpretado em muitos terreiros como um bloqueio energético. O médium faz parte da corrente de força da casa. Ele é um ponto de energia. Cruzar braços ou pernas é, simbolicamente, cortar ou interromper essa corrente, como se desse um nó na própria linha espiritual. E uma corrente travada compromete o fluxo da gira.
Essas regras não são rigidez sem propósito. São cuidados espirituais.
O terreiro não trabalha só para os vivos. Ele acolhe também os desencarnados, os perdidos, os aflitos e até os que vêm em rebeldia, tentando desestruturar aquilo que traz luz. Por isso, cada gesto, cada postura e cada pensamento conta.
Respeitar essas orientações é zelar pelo equilíbrio de todo o trabalho espiritual e por você também.
Axé.

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