sexta-feira, 24 de abril de 2026

Música dentro do Terreiro não é só Tradição


Tem gente que acha que a música dentro do terreiro é só parte da tradição, quase como um costume bonito que acompanha a gira, mas quem vive a Umbanda de verdade sabe que o som tem fundamento e tem função. O ponto cantado, o toque do atabaque, a palma batida no ritmo certo, nada disso está ali apenas para preencher o ambiente. Aquilo movimenta energia, organiza a vibração do terreiro e ajuda a sustentar o trabalho espiritual que está acontecendo.

Quando a curimba começa a cantar, não é só música que está sendo feita. O som cria uma vibração que envolve todo mundo que está ali, médium e assistência. Muitas vezes a pessoa chega carregada, com a cabeça cheia, o coração apertado, e sem perceber vai se acalmando, vai se abrindo, porque o som mexe em lugares que palavra nenhuma alcança.

Por isso quem toca atabaque precisa entender a responsabilidade que tem nas mãos. Não é sobre tocar alto ou aparecer mais que os outros. É sobre sentir o ambiente, respeitar a energia da casa e conduzir o ritmo de forma que a corrente inteira entre na mesma sintonia. Existe mediunidade nisso também, porque o toque ajuda a preparar o campo para que os guias trabalhem.

E quem está na corrente ou mesmo na assistência também faz parte disso. Quando a pessoa canta com verdade, quando bate palma acompanhando o ponto, ela também está ajudando a levantar aquela vibração. O terreiro inteiro entra no mesmo movimento, como se todo mundo respirasse na mesma energia.

Os guias não dependem do ponto para chegar, porque a espiritualidade já está ali muito antes do primeiro toque do atabaque. Mas o canto ajuda o médium a se concentrar, ajuda a mente a aquietar e o corpo a entrar no ritmo do trabalho.

Talvez seja por isso que tanta gente se emociona quando ouve um ponto pela primeira vez. Não é só a música. É a energia que vem junto com ela. Na Umbanda, o som tem o poder de abrir caminhos dentro da gente que às vezes estavam fechados há muito tempo.

-reinosdeumbanda-

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