Cantos, Palmas, Toques e Danças
Devemos cantar de forma harmoniosa, bater palmas e dançar, com sincronia e de maneira bonita, todos os pontos.
A Umbanda recorre aos cantos ritmados, pois eles atuam sobre alguns plexos, que reagem aumentando a velocidade de seus giros. Com isso, captam muito mais energias etéricas, que sutilizam rapidamente todo o campo mediúnico, facilitando as incorporações... As palmas cadenciadas e ritmadas criam um amplo campo sonoro, cujas vibrações alcançam o centro da percepção localizado no mental do médium, predispondo-o a vibrar ordenadamente, facilitando o trabalho de reajustamento de seus padrões magnéticos".
Quanto aos atabaques e outros instrumentos, "as vibrações sonoras têm o poder de adormecer o emocional, estimular o percepcionar, alterar as irradiações energéticas e atuar sobre o padrão vibratório do médium. Ao desestabilizar o padrão vibratório do médium, o mentor aproveita esta facilidade e adentra no campo eletromagnético, adequando-o ao seu próprio padrão, fixando-o no mental de seu médium por intermédio de suas vibrações mentais direcionadas.
Em pouco tempo, o médium adequa-se e toma-se, magneticamente, tão etérico em seu padrão vibratório, que já não precisa do auxílio de instrumentos para incorporar. Basta colocar-se em sintonia mental com quem irá incorporar para que o fenômeno ocorra".
"A Umbanda recorre às 'danças rituais', pois, durante o transcorrer dos trabalhos, os médiuns se desligam de tudo e concentram-se intensamente numa ação em que o movimento cadenciado facilita a incorporação do seu guia espiritual. Nas 'giras' (danças rituais), as vibrações médium-mentor se interpenetram de tal forma que o espírito do médium fica adormecido, já que é paralisado momentaneamente. Os médiuns, no princípio, sentem tonturas ou enjoos. Mas, estas reações cessam se a entrega for total e se não houver tentativa de comandar os movimentos, já que será seu mentor quem comandará". "Um médium plenamente desenvolvido pode 'dançar' durante horas seguidas que não se sentirá cansado após a desincorporação. E se assim for, isto se deve ao fato de não ter gasto suas energias espirituais. Não raro, sente-se leve, enlevado, pois seu corpo energético, influenciado pelo copo etérico do mentor, sobrecarregou-se de energias sutis e benéficas." "Médiuns que caem durante as danças rituais, caem porque não se entregam totalmente ou tentam comandá-las. A simples interferência consciente é suficiente para anular as vibrações mentais de seus guias, ou enfraquecê-las, desequilibrando toda a dança, já que assume seu padrão vibratório e desarmoniza-se com seu guia incorporante.
A PREPARAÇÃO COMPORTAMENTAL DOS OGÃS
"Um Ogã precisa saber o que cantar, quando cantar, para quem cantar e que toque utilÍ2ar, para movimentar a energia correta naquele momento do trabalho." Ogã Severino Sena Além do sacerdote, os templos de Umbanda possuem outras autoridades, iniciadas em seus ofícios, dentre elas, os Ogãs. Eles, de fato, não entram em transe de incorporação; são sacerdotes específicos de louvor aos orixás, de extrema confiança do líder espiritual da casa. Uma das principais características dos Ogãs é a capacidade mediúnica de ativar correntes energéticas e vibratórias por meio do canto e do toque. Eles são o complemento fundamental para a concepção da força vibratória de um terreiro. Nos terreiros em que os pais ou mães incorporam o tempo todo, quem segura as giras, praticamente, são os Ogãs. Os Ogãs de toque e canto são, naturalmente, os tocadores de atabaque ou "Tabaqueiros" e são, por excelência, pais espirituais, pois normalmente são exímios conhecedores dos cantos, rezas e fundamentos de cada orixá e das linhas de trabalho. São médiuns preparados pelo Criador para servirem aos orixás e Guias, tendo o dom de movimentar a energia necessária durante um trabalho. Os Ogãs têm um roteiro a seguir, durante as giras, que pode variar um pouco, de uma casa para outra, mas é basicamente o mesmo em seus fundamentos. Há os Ogãs natos e aqueles que são preparados durante a jornada terrena. Aprendem os cantos e toques ao longos de muitos anos e são empossados após um período iniciático, que termina em uma apresentação pública, em que exibem seus dotes artísticos e saber religioso.
Após a iniciação, recebem também um nome litúrgico que os identificará para sempre e podem, então, ser reconhecidos carinhosamente como pais, abençoar e se rem abençoados. Todos os Ogãs, assim como os demais médiuns, precisam de ensinamentos religiosos e ritualísticos para melhor desempenho de suas funções nas giras e demais trabalhos. Uma "curimba", ou seja, o conjunto de vozes e toques dos atabaques, é formada por Ogãs que tocam e cantam, Ogãs que só tocam e por filhos da casa que só cantam. Pode ser acompanhada de palmas e m e s m o d e s i n o. Todo ponto cantado é uma decodificação de mantras, é uma prece, uma reza, para chamar os protetores que dão assistência aos trabalhos espirituais. Os verdadeiros pontos cantados são os chamados de raiz, ensinados ou transmitidos pelas próprias entidades. A letra, a música, o tom, a afinação e o ritmo corretos do ponto cantado e tocado, constituem a magia do Verbo na Umbanda e imprimem matizes aos rituais, unindo os participantes, criando maior sentimento de disciplina, solidariedade e colaboração.
Cada ponto cantado corresponde às vibrações espirituais da entidade evocada, mas, para se obter o efeito desejado de harmonia e aproximação do guia espiritual, deve ser cantado corretamente, sem mudança da letra ou da melodia, e com muita afinação. Um verdadeiro ponto evoca imagens fortes e chegam ao coração, despertando a emoção e a verdadeira fé, pura e simples. As notas afinadas e ritmos corretos ajudam a manter a corrente concentrada, a sintonia e o repouso da mente de quem ouve, sintonizando com o meio. Os atabaques ou tambores sagrados, além dos atributos naturais e magísticos, proporcionam a vibração e a frequência necessárias para a celebração da gira, para as evocações, abertura e fechamento do facho energético nos trabalhos.
DEVERES DO OGÃ
• Ter comportamento sério e muito respeitoso com a entidade chefe e com as demais entidades, que dependem dele para saber exatamente o que está acontecendo na gira.
• Estar sempre em total sintonia com o guia chefe e atento a todo movimento da gira e a tudo o que ocorre no ambiente de trabalho.
• Ter consciência de que o atabaque é sagrado, pois contém a força viva do orixá.
• Saber que é o responsável pelo canto e toque dos pontos do terreiro e que deve trabalhar numa sequência, conforme o desenvolvi mento da gira, e saber quando cantar, o que cantar, para quem cantar e que toque utilizar, para movimentar a energia correta, naquele momento do trabalho. Precisam estar sempre alertas às vibrações do momento e de prontidão, pois o equilíbrio da gira depende da curimba.
• Ajudar seus irmãos em desenvolvimento, firmando as energias necessárias.
• Vestir-se de branco, como os outros médiuns e usar suas guias, cor respondentes aos orixás de sua coroa.
• Firmar a curimba. Algumas casas adotam a firmeza da curimba, antes de iniciar os rituais, de forma bem simples, firmando o anjo da guarda e os orixás daquele atabaque, acendendo uma vela branca e colocando um recipiente com água e mel, na frente ou do lado direito do atabaque.
• Saber que a curimba bem tocada e bem cantada facilita as incorporações e ajuda a sustentação de um bom trabalho espiritual. A curimba mal conduzida irrita os sentidos, dificulta as incorporações e, por melhor que sejam os sons dos atabaques, os mesmos, sozinhos, sem a afinação vocal, não criam a harmonia vibratória necessária aos trabalhos do terreiro, pois os médiuns não saberão que tonalidade devem manter nos cânticos, além do incômodo que a defumação causa aos ouvidos musicalmente educados.
• Conhecer os vários toques e aqueles necessários para cerimônias de batismo, casamento, coroamento e, no mínimo, sete pontos de cada entidade e de cada momento, principalmente os pontos relacionados aos orixás e guias chefes da casa, assim como pontos de abertura, defumação, batimento de cabeça, saudações, chamada, sustentação, firmeza, despedida, etc. Um toque diferente pode comprometer qual quer trabalho e ainda ser responsável pelo cruzamento da linha, rebaixando a vibração dos médiuns.
• Respeitar a hierarquia entre os Ogãs. Manter um bom entrosamento com todos os tabaqueiros, para que sejam cantados os pontos corretos, mantendo a vibração, a sintonia e a firmeza dos trabalhos.
• Vestir seu atabaque com fitas ou tiras coloridas de pano, na cor do orixá ao qual o atabaque foi consagrado.
• Cobrir o atabaque, quando não mais estiver em trabalho, para proteção do instrumento, quanto à exposição ao sol, poeiras, toque de pessoas alheias ao terreiro e até de pessoas com intenções negativas sobre a casa.
NÃO É PERMITIDO AO OGÃ
• Tocar no atabaque, sem pedir licença ao orixá ali assentado. Há casas onde cada Ogã deve ter seu próprio atabaque, pois na sua consagração aquele instrumento será oferecido aos seus orixás de coroa. Caso seja convidado a tocar um instrumento que não seja o seu, o Ogã deverá pedir licença ao orixá ao qual foi consagrado aquele atabaque. Outras casas, principalmente as maiores, dispensam essa formalidade, pois têm um grupo de Ogãs que se revezam na curimba.
• Debruçar-se sobre o atabaque, seu instrumento sagrado.
• Fumar, comer ou beber em cima do atabaque.
• Trocar de roupa na frente do atabaque.
• Fazer comentários ou estabelecer conversas paralelas durante a gira, mesmo com a curimba em silêncio. Toda religião organizada tem seus rituais que despertam as emoções, na vibração e sentimentos de seus seguidores. Toda seita tem seus cânticos, que são preces cantadas e ritmadas que criam um colorido mágico especial no plano material e extra material, sintonizando e harmonizando a emotividade dos fiéis ao ritual religioso. A música produzida por instrumentos, pela voz, ou por ambos, restaura a ligação com o cosmos, com nossa essência, e desperta nossa alma para os sentimentos e emoções superiores. É fundamental na meditação e na harmonização entre o corpo e o espírito de quem os emite. A Umbanda tem na musicalidade um dos fatores mais importantes de seu ritual, com suas cantigas que remetem à ancestralidade, memória e tradição. É importante que os templos umbandistas busquem um nível de excelência, priorizando, também, a harmonia e o refinamento musical.
É estratégica a busca do mínimo necessário para que o som esteja em sintonia com o ritmo e com o trabalho espiritual e que encontremos nos instrumentos e nos cantos uma parcela importante da arte na Umbanda o que, com certeza, atrairá seguidores que gostam de ouvir cânticos harmoniosos e belos.
(Livro-Manual Doutrinário, Ritualístico e Comportamental UMBANDISTA)
-Lurdes de Campos Vieira-

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