quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

O Descarrego no Dia-a-Dia

O descarrego no dia-a-dia

Todos os dias, em algum lugar deste imenso Brasil, invariavelmente estará havendo uma sessão de descarrego de energias cósmicas. Entidades espirituais incorporadas em médiuns efetuam passes magnéticos, transferindo e retirando energias do corpo de algum consulente com a finalidade de restabelecer-lhe o equilíbrio energético.

Observando detalhadamente tais rituais, vemos que estas entidades efetuam um trabalho curioso e misterioso aos olhos do observador leigo. Porém, para o médium umbandista, a entidade não está fazendo mais do que aplicar os seus conhecimentos das ciências espirituais.

A água, o charuto, as ervas, os minerais, a pemba, os gestos, as velas, tudo enfim que é usado nestes trabalhos são meios para facilitar e agilizar os processos de equilíbrio, porque o desequilíbrio provoca nas pessoas as mais variadas reações: desânimo, preguiça, insegurança, descontrole emocional, passividade, falta de apetite, desmazelo e tantas outras coisas que fatalmente levarão o seu corpo à doença.

Com a água, manuseiam-se as forças elementais das ondinas para restabelecer a energia geradora e, por conseguinte, o uso da razão pela limpeza astral e pelo poder vital do leite materno do nosso planeta, responsável pela vida, pela vontade de viver, pela força do amor.

Com a fumaça dos charutos, defuma-se o paciente incutindo-lhe o sopro vivificante e quente do ar combinado com o fogo no duplo trabalho de purificação efetuada pelo elemento ar e pelo elemento fogo, através dos silfos e das salamandras, pois eles vitalizam, renovam, limpam o elemento vital e aumentam a sua potência psíquica.

Das ervas retira-se o elemento vital necessário para transmitir ao paciente. As emanações dos elementos vitais reanimam, alimentam a força espiritual ou o corpo astral do paciente, para se refletirem com toda energia no corpo material. A pureza do elemento vegetal serve como agente de expulsão de forças negativas e por isso funciona como verdadeiro fortificante de aura.

As velas, que representam uma combinação dos quatro elementos da natureza, servem para queimar os resíduos espirituais e remetê-los, através da fumaça, ao caos diferenciado; assim, estes resíduos passam por uma nova reciclagem, permanecendo em seu meio com seus valores negativos puros, cumprindo dessa forma seu papel de força equilibrante na natureza.

Os gestos ou movimentos acompanham a tônica da modulação das ondas vibratórias da luz e do som, compasso e ritmo da vida, desviando ou orientando as energias manuseadas nas direções dos chacras adequados ou nas direções dos pontos cardeais.

O ponto cabalístico riscado com a pemba é o seu universo de ação. Através dos valores simbólicos ali registrados, a entidade amplia o seu campo de ação, transcendendo o espaço do templo e atingindo os planos cósmicos através das ondas moduladas. Os cânticos e o som dos atabaques mantêm a ligação vibratória numa tônica adequada.

O perfume, como diz a Bíblia, são as orações dos Santos.

“Este mesmo trabalho efetuado pelas entidades também pode ser realizado pelo próprio ser humano, desde que este se transforme e se prepare adequadamente dentro dos rituais específicos e que sua vida seja inteiramente dedicada a isto, a fim de que as emoções materiais não o afetem e ele possa transmitir a energia pura. Portanto, somente o sacerdócio pleno capacita o ser humano ao manuseio das forças cósmicas, pois é necessário um corpo altamente treinado, perfeitamente dominado pelo espírito e cujo pensamento esteja inteiramente em sintonia com a Chama UNA.”

Uma vez equilibrado o corpo astral, o indivíduo retoma os seus valores materiais, permitindo assim que a energia pura nele penetre e afaste os efeitos maléficos anteriormente criados por uma causa em desequilíbrio, os quais perdem a força pelas novas ondas emitidas pela fonte já agora em harmonia. Cessada a causa, cessam os efeitos que deixam de se manifestar.

Porém, existe um fator preponderante em todo este processo científico-espiritual. É o consentimento e a vontade do paciente. Sem eles, torna-se extremamente difícil a eficácia do trabalho. E isto é fácil de entender. Acontece que todo ser humano possui a capacidade de desenvolver, captar e transmitir energias das quais é um verdadeiro acumulador. Se sua vontade permanece apática, será necessária uma grande dose de energia apenas para retirá-lo deste estado de apatia e mais uma quantidade não menos potente para promover a reação. Quando o indivíduo não aceita o processo; torna-se impossível penetrar em suas defesas energéticas. Somente com o consentimento, a ajuda e a vontade do paciente se obterá um resultado realmente eficaz, porque as energias de seu corpo serão movimentadas com muito mais facilidade pelo próprio dono destas energias.

É por isso que as entidades espirituais, antes de iniciarem o processo de descarrego, conversam com o paciente, levando-o a usar sua vontade – o paciente “conta” seus problemas e “pede” a ajuda da entidade. Muitas pessoas erroneamente pensam que uma entidade eficiente é aquela em que o paciente chega e logo que ouvem o problema, tem início o trabalho sem qualquer preocupação com o livre arbítrio do consulente. Aqui convém uma explicação mais detalhada: se uma pessoa vai procurar uma entidade em busca de auxílio é porque já consentiu a priori na execução do processo. Mas nem sempre é assim que acontece. Muitas vezes, apesar de a pessoa ir procurar uma entidade para consulta, ela o faz pela necessidade plena que a envolve, mas os rituais e os processos utilizados a apavoram sejam pelo medo do desconhecido ou pela falta de afinidade com o local e com o culto a que se viu impelida a recorrer por força do sofrimento e não tanto por sua pura vontade.

Ao perceberem este estado de insegurança e medo, as entidades, primeiro conversam com a pessoa para descontraí-la e, só então, conseguem a sua permissão e colaboração. É fácil perceber que para um médium-sacerdote, por mais preparado que ele seja, é difícil captar a intensidade deste estado negativo da pessoa. Assim, a entidade, por sua condição de espírito, está muito mais habilitada para o trabalho, favorecendo a obtenção de um resultado mais rápido.

Isto é descarrego, é trabalho de Umbanda. O conhecimento leva à sabedoria e está reaproxima o ser humano de Deus.

Os apetrechos usados pelos guias servem como elemento de atração da força cósmica. 
O passe descarrega, limpa a aura do consulente, abrindo seus chacras e permitindo que as energias cósmicas dirigidas pela Entidade restabeleçam o equilíbrio energético do consulente. 
O charuto usado pelos caboclos representa o manuseio dos elementos enxofre, sal e mercúrio. 
A bebida usada pelas Entidades serve para repor as energias do médium gastas por força de incorporação. 
A relação entre Entidade e Cambone é um exemplo de respeito mútuo. 
O atendimento ao consulente é o retrato do carinho e da compreensão dos Espíritos de Luz. 

(trecho extraído do livro Umbanda (Primeiro Grau de Iniciação) escrito por Brasão de Freitas)

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Perfume

Sendo a Umbanda uma religião de cunho espiritualista, portanto hiperfísica, nada mais grato às entidades que os seus intermediários (médiuns, “cavalos”, “aparelhos”, etc.) estejam sempre impregnados com perfumes de sua preferência, oriundos de ervas que lhe são consagradas. A finalidade odorífera possibilita melhor aproximação e desempenho por parte das entidades de Umbanda.

Sal Grosso

É um elemento de “descarrego”, dos mais usados na “limpeza” etérica, não só da aura humana como das coisas. É um removedor ideal de impurezas e larvas astrais.

Outras formas de descarrego

O descarrego é também conhecido como “sacudimento”, “mojimba”; todos esses nomes encobrem apenas a necessidade de haver limpeza etérea na aura, quando impregnada de larvas, bacilos, e nódoas astrais, causadores de má ambientação e acolhimento a espíritos obsessores que promovem doenças, fobias, fixações e perturbações outras.

Quanto às ervas empregadas em banhos, tem o valor, a força de remover as larvas astrais de que falamos que se apegam na aura das pessoas, resultando daí uma limpeza psíquica. Melhoram as energias vitais, contribuem para melhor desempenho mediúnico, além de energizar fluidos para o bem estar da saúde do médium.

As guias

Em primeiro lugar, assumem destaque excepcional na Umbanda, pois quando devidamente imantadas, representam simbolicamente o poder do orixá. São ainda desviadores de correntes negativas, que assediam constantemente a criatura humana. Devem ser usadas apenas dentro do terreiro.

Defumação

A queima de substâncias aromáticas e perfumosas tem a finalidade de purificar e defender de fluidos pesados e miasmas, além de conter naturalmente entidades de porte inferior, cascões astrais e nódoas outras. Apraz aos guias que compõem o terreiro, sorver em largos haustos o perfume que se eleva da combustão no plano físico, os quais emprestam disposição saudável para proteção dos trabalhos a serem efetuados, sem contar com a excitação natural das glândulas dos médiuns que entram em vibração com as ondas mediúnicas emitidas pelos guias.

A defumação é um verdadeiro banho etérico-astral nos componentes do Templo, afastando toda a nocividade ao ambiente. Além da purificação do ambiente e dos médiuns na contextura física-etérea, além de ser simbolicamente pelo olfato e visão a marcação ritualística do início de um cerimonial. As tensões emocionais dos médiuns desaparecem e os descontrai para a atividade sutil entre os dois planos, físico-astral.

(trecho extraído do livro Magia de Umbanda, escrito por Omolubá)

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Nós achamos que defumação mesmo, dentro da “mironga” de Umbanda [os caa-timbó dos pajés], tem que ser feita no carvão [brasas] e no vaso de barro, por quê? Ora, porque assim é que tem ciência, tem magia, o carvão, o barro, a oração, as ervas adequadas etc. No entanto, os terreiros elegantes já estão “contaminados” por elegantes turíbulos de todos os tipos metálicos, dizem que é evolução. Mas, evolução de quê? Dessa terapêutica astral, sabe que não se queimam ervas ligadas a metais...

(trecho extraído do livro Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda, escrito por W.W. da Matta e Silva)

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O fumo é um modo de defumação pessoal. As entidades espirituais procuram assim aproveitar-se das qualidades vibratórias de certos elementos materiais utilizados para liberar forças energéticas que melhor se ajustem à situação e às necessidades de cada um.

Assim, é muito usado pela Pomba Gira, à cigarrilha, um charuto fininho, de odor especial, que quando utilizado por essa entidade, melhor se ajusta ao “descarrego” do magiado, por proporcionar-lhe mais tranquilidade. 

Os cigarros são usados para fins mais materiais, normalmente relacionados com negócios financeiros.

Os charutos de fumo grosseiro ou forte são peculiares à magia dos exus, enquanto que os charutos de fumo de melhor qualidade são usados pelos caboclos incorporados.

Já os preto-velhos dão preferência aos cachimbos, nos quais usam diversos tipos de misturas de fumos e ervas, como o alecrim e outras.

(trecho extraído do livro O que é a Umbanda escrito por Cavalcanti Bandeira)

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Obs: Um alerta aos fumantes. A fumaça funciona como agente de limpeza espiritual atraindo as energias negativas e consumindo-a, o médium incorporado que ingere a fumaça, tragando o cigarro, automaticamente está ingerindo as influências negativas impregnando assim o médium. A fumaça do charuto, dos cigarros etc., deve ser expelida na hora do passe ou mesmo durante o trabalho, pelas entidades, pois, isso fará com que a influência seja levada pela corrente. 

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